terça-feira, 31 de maio de 2016


Um momento 
a ressoar a eternidade. 
Consome-se a alma,
E no tempo fica 
toda a vaidade.
A vontade de não estar.
Longe. 
Longe
Onde não nos é possível caminhar.
Entendo,
Apesar de tudo,
A crueldade de um eterno luto.
Não quero.
Não quero para mim
O ser.
O cansaço é demasiado 
E desta fonte que tanto bebi 
Já não a posso ver.
Não quero,
Para mim as incertezas e 
noites mal-dormidas.
As tristezas que não percebo,
Gravadas em mãos doloridas.
Não quero.
Palavras findas
Como o pó que tememos comer.
As eternas despedidas
E o incessante
Passo da vida que não pára de correr.
Não quero,
Repete a boca já cansada.
Não quero
Nada.


Carlos Miguel Vieira
 ©2016

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