quarta-feira, 19 de abril de 2017

Nas horas de minúcia, e ócio nocturno,
Ele aconchega-se na cadeira…
No compasso de uma batida, o seu coração diz-lhe que nada está bem.
Ele aperta as mãos contra o peito, enquanto
Perscruta o escuro, à procura de alguém.
Debilmente, tacteia a mesinha de cabeceira,
Em busca daquele livro que se encontra por ler há anos.
De páginas amareladas e mais letras do que as que por norma suportamos.
Num arquear das costas,
A tosse, maldita tosse que não o deixa dormir,
Velha recordação de antigos vícios que teimam em não partir.
O lenço, enrugado e gasto pelo tempo,
É sem dúvida, a sua salvação.
Ele espera as palmadas nas costas e as palavras de conforto,
Mas sente apenas uma pontada no coração.
Estranha…
Aguda…
Começou pelo braço e foi-se arrastando.
A sua mente casmurra,
Esperou apenas que ela fosse passando.
Estranha…
Nunca antes assim…..
´”É desta, meu amor, por favor, espera por mim.”
O relógio marca as três horas e quinze minutos,
Quando a sua alma parte deste mundo.
E no fim, é apenas uma história, como qualquer outra.
Silêncio. À minha boca.
Carlos Miguel Vieira
 ©2016

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