A minha Lista de blogues

sábado, 4 de junho de 2016

É de mim,
desta alma que se faz irrequieta,
perguntar-me que o existe para lá do horizonte.
Onde o olhar não chega
e o tempo se esconde.
É de mim.
Destas mãos que tremem a medo
perguntar-me à vida,
mesmo a vida não o sendo.
É de mim,
querer o que não quero.
Aguardar na encruzilhada 
mesmo sem a certeza do que espero.
É de mim,
um contentamento descontente.
Saber o que sei
e mesmo assim fingir
que tal não me pôs doente.
É de mim,
sorriso rasgado na face fechada.
Sentir a mais
e preocupar-me por tudo e por nada.
É de mim,
contar as horas e minutos e segundos,
sabendo que  rápida a vida
a levar os teus e os meus mundos.
É de mim.
O que de mim é.
Cair não sabendo que cai,
para logo me ter de pé.

Texto: CMV
Voz: Sally
Música: DOD - Drama

terça-feira, 31 de maio de 2016


Um momento 
a ressoar a eternidade. 
Consome-se a alma,
E no tempo fica 
toda a vaidade.
A vontade de não estar.
Longe. 
Longe
Onde não nos é possível caminhar.
Entendo,
Apesar de tudo,
A crueldade de um eterno luto.
Não quero.
Não quero para mim
O ser.
O cansaço é demasiado 
E desta fonte que tanto bebi 
Já não a posso ver.
Não quero,
Para mim as incertezas e 
noites mal-dormidas.
As tristezas que não percebo,
Gravadas em mãos doloridas.
Não quero.
Palavras findas
Como o pó que tememos comer.
As eternas despedidas
E o incessante
Passo da vida que não pára de correr.
Não quero,
Repete a boca já cansada.
Não quero
Nada.


Carlos Miguel Vieira
 ©2016

quarta-feira, 18 de maio de 2016


I am the duality 
of emptiness,
the dark side of the moon…
The blank page of a book,
that you read in a hurry,
and ends to soon…
I am the bench, full of shadows and memories
of beggars and happiness gone…
I am the silence,
In lover’s voice…
I am the whisper in the tears that run amok…
I am the sound of sorrow,
That creates such a loud noise,
In your ears,
That you hear nothing…
Breed, 
Cause I am poison in your veins…
Breed,
Cause I am poison…
The one you drink,
When you lay down to sleep…

Oh, I AM…


Carlos Miguel Vieira
 ©2015

Late hours at night.

“The tale is set in motion…
Curtin’s up,
It will be one to call for love and eternal devotion…”

Trembling, 
Her hands can barely little the candle…
Lips praying while
Her minds blown with believe…
Add enough… This pain is more she can handle…

There, were no-one could see,
Under the bed she tried to hide.
That’s when the Darkness called her 
With eyes that glowed so bright… 
She yearns to be safe and sound…

So prays for Him to be around,
And waits in bed
For the last kisses…

Tired of waiting, slept,
So, His entrance she misses…

Stopping at her side,
He Looks at her, alive,
One last time…

Drown in love,
She says to the house,
Her last goodbye.

They look at the night,
Hands entwined as one…
Together they fly, out of this World,
Forever gone.



Carlos Miguel Vieira
 ©2015

Oiço-vos.
Sangram-me os ouvidos.
Incapaz de me mover,
Vejo-vos,
Ego inflamado
A soltar conselhos e sorrisos.
Uma vida lá fora. 
Às espreita pela janela que 
Temem abrir…
Um baloiço vazio, agora,
porque se levantaram 
E deixaram de brincar.
E a vossa vontade de ficar
Onde estão
É a minha vontade de partir.
E culpam-me,
Desdenhosos e de dentes salientes,
Do silencio que se me acomete
E me preenche a mente.
Ego.
Maldição dos perdidos
E das sombras que apenas enxergam reflexos 
De si mesmos.
Sangram-me os ouvidos…
Não me culpem 
De responder 
Apenas
De tempos a tempos.



Carlos Miguel Vieira
 ©2015
Caem-se-me as mãos…
Aos céus levantadas.
Que numa hipótese, 
Apenas uma,
Eu não seja obrigado a ver, 
As cores deste mundo,
Do que se esconde para além
Do que nos faz bem saber.
E, apesar do esforço,
Da força de vontade que se apodera 
Da minha calma,
Encontro-me,
Vezes sem conta,
A perder a alma 
Para coisas que não posso mudar.
E vejo,
A fome a levar consigo,
Vidas prematuramente envelhecidas,
Trocadas por fatos e gravatas,
Luzes enegrecidas,
Em troca de pó de arroz
E homens de pastas cheias de nada.
Falsa ordem a pilhar corpos 
E copos que se enchem 
Por um bem que se diz maior.
Entendo? Entendo…
Melhor fingir-se de morto
A ver que no mundo há tanta dor.
Adormeçam.
Que camas ardem algures 
À distância.
Corram.
Que vos salve assim 
Abençoada ignorância. 
Corram.
E cansa-me.
Sufoca-me até mais não,
O que trazem nos olhos,
A merda que trazem no coração.
Que vos rebente as cordas,
Que sem elas não se parecem mexer.
TU, que acordas
Que cegues com o que não queres ver.

Continua a correr!!

Carlos Miguel Vieira
 ©2015

It haunts me,
Time and time again.
It taunts me,
An eternity, for the sake of what i care.
Words almost over
And yet you’re not here...
Yet of you,
Nothing i’ve seen.
Ask me, a thousand times,
How much do i still bare?
How much,
Of the places I’ve been?
I... Forgive me...
No more roses in the garden,
To watch over...
The gate turned to rust
And then it crumbled,
And still no sight of you.
I collected so many histories
And even those pages are now yellow.
Old.
As this life is too.
I laugh, 
Through walls empty. 
Shallow.
And echoes of it,
Make me fall on my knees.
My voice gone.
And I’m nothing
Of what my soul seeks.



Carlos Miguel Vieira
 ©2015